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O que é neuroplasticidade?

Autora: Pâmela Rodler

Você já parou para pensar que seu cérebro está em constante transformação? Ele não é uma estrutura fixa, mas sim um sistema dinâmico que se reorganiza continuamente ao longo da vida. Essa capacidade de adaptação e mudança recebe o nome de neuroplasticidade .

O que é neuroplasticidade e como ela funciona?

A neuroplasticidade refere-se à habilidade do cérebro de modificar sua estrutura e função em resposta a experiências, aprendizado e até as mesmas lesões. Antigamente, acreditava-se que, depois da infância, o cérebro era uma estrutura praticamente estática, mas descobertas recentes demonstram que ele pode se remodelar ao longo de toda a vida.

Isso acontece porque os neurônios formam novas conexões e fortalecem as já existentes sempre que adquirimos novas informações. Ou seja, quanto mais estimulamos nosso cérebro, mais ele se adapta e evolui.

Por que a neuroplasticidade é tão importante?

A neuroplasticidade desempenha um papel essencial em diferentes aspectos da nossa vida, como:

  • Aprendizado e memória: Cada vez que você aprende algo novo, seu cérebro cria novas conexões neurais. Quanto mais você pratica, mais fortes essas conexões se tornam, facilitando a retenção de informações.
  • Recuperação de lesões corporais: O cérebro pode redirecionar funções afetadas para outras áreas saudáveis, permitindo que pessoas se recuperem, por exemplo, de um AVC.
  • Mudanças de hábitos e resiliência emocional: A neuroplasticidade permite que padrões de pensamento e comportamento sejam alterados, tornando possível a superação de dificuldades e a construção de hábitos mais saudáveis.

Como estimular a neuroplasticidade?

Algumas práticas podem potencializar a neuroplasticidade e manter o cérebro saudável, como:

Aprender algo novo – tocar um instrumento, estudar um idioma, praticar uma nova habilidade;
Exercitar-se regularmente – atividades físicas aumentam a oxigenação e a produção de substâncias que favorecem a plasticidade cerebral;
Manter uma alimentação equilibrada – nutrientes como ômega-3 são essenciais para a saúde dos neurônios;
Dormir bem – o sono é fundamental para consolidar novas conexões neurais;
Praticar a atenção plena (mindfulness) – meditação e outras técnicas de foco ajudam na reestruturação das redes neurais.

Nosso cérebro está sempre moldando quem somos. Cada experiência, aprendizado e interação deixa uma marca em nossa mente. Compreender a neuroplasticidade nos ajuda a perceber que nunca é tarde para mudar, aprender e evoluir.

Referências

FILHO, César Augusto Bridi; BRIDI Fabiane Romano de Souza (Orgs.). Plasticidade cerebral e aprendizagem: abordagem multidisciplinar. Porto Alegre: Artmed, 2018.

JACKOWSKI, Andrea Parolin; ZUGMAN, André. Neuroanatomia Funcional E Comportamental. In: QUEVEDO, João; IZQUIERDO, Ivan (Orgs.). Neurobiologia dos transtornos psiquiátricos. Porto Alegre: Artmed, 2020.

PAPALIA, D. E; MARTORELL, G. Desenvolvimento humano. 14. ed. Porto Alegre: AMGH, 2022.

Conheça a autora

Pâmela Rodler (CRP 18/06385) é psicóloga, especialista em neuropsicologia e análise do comportamento aplicado (ABA) ao autismo e deficiência intelectual. Atua como supervisora ABA e neuropsicóloga em uma clínica de estimulação infantil, auxiliando no desenvolvimento de crianças e na orientação de profissionais e famílias no processo terapêutico. Além da atuação clínica, é divulgadora científica, compartilhando conhecimento baseado em evidências sobre neuropsicologia, análise do comportamento e desenvolvimento humano.